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União Europeia: “Fazer Erasmus” faz a diferença?

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A Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (UE) refere o Direito à Educação no Artigo 14º. “Todas as pessoas têm direito à educação, bem como ao acesso a formação profissional e contínua”. Este acesso a formação profissional e contínua não tem de ocorrer apenas no nosso país de origem, mas sim em qualquer lugar da União Europeia. É assim que nasce o programa Erasmus+, servindo de janela para a Europa, aos olhos dos estudantes do Ensino Superior.

 

O programa Erasmus+, além de dar oportunidades aos estudantes, abrange ainda várias pessoas e organizações, dotando de oportunidades mais de quatro milhões de pessoas. Os principais objetivos focam-se nos jovens e no desenvolvimento das suas competências, o que poderá permitir a redução do desemprego nesta faixa etária. Uma vez que milhões de estudantes têm a oportunidade de estudar noutro país, o programa promove a mobilidade e a cooperação com países parceiros da UE.

 

A Comissão Europeia criou o Erasmus+ para favorecer o crescimento, o emprego, a equidade e a inclusão social (objetivos da Estratégia Europa 2020). Além disso, o Erasmus+ também surge para contribuir para o quadro estratégico da União Europeia, no que diz respeito à educação e formação (EF 2020). O programa foi criado em 2014, depois da conclusão do programa Erasmus, vai durar até 2020,  e tem um orçamento de 14,7 milhões de euros, de acordo com o site da Comissão Europeia.

 

Então, sendo o Erasmus+ uma forma de ajudar os jovens no desenvolvimento das suas competências, o intercâmbio de estudantes do ensino superior tem um papel importante no cumprimento desse objetivo. Viver no estrangeiro oferece novas perspetivas e promove a responsabilidade e independência. Ou seja, além de investimento académico, há um investimento pessoal, pois a convivência com culturas diferentes permite um maior conhecimento do mundo.

 

Os jovens que “fazem Erasmus” podem vir a ter uma maior facilidade de adaptação e melhor capacidade para relacionamentos interpessoais, características privilegiadas no mercado de trabalho. Uma experiência, quer profissional quer académica, no estrangeiro, favorece os candidatos a um emprego, que deverão ser mais autónomos, desembaraçados e ter uma mente “mais aberta”, depois de viver fora.

 

Em Portugal, em 2017 já eram sete mil estudantes que partiam para o estrangeiro ao abrigo do programa Erasmus+. No entanto, em 2018 o índice de desemprego jovem continua alto e ronda os 20%, segundo o INE, PORDATA.  Surgem, assim, questões sobre a influência desta experiência e em como pode capacitar os jovens para o mundo do trabalho.

 

Será que “fazer Erasmus” ajuda, de facto, no desenvolvimento de competências?

Marta Matias (20 anos) e Joana Carvalho (19 anos) decidiram, em setembro de 2018, embarcar nesta aventura e foram, durante cinco meses, para Varsóvia, capital da Polónia. Marta pensou que “seria uma experiência enriquecedora, não só a nível pessoal como também académico” e Joana achou “que era a altura certa para fazê-lo”. Para Marta, a cultura polaca é totalmente diferente da portuguesa e isso permitiu-lhe “abrir horizontes”. Joana também destaca a diferença entre os modos de vida e diz que “há muito para ver no mundo e foi muito bom sentir que pertencia a dois países”.

 

No que diz respeito à qualidade de ensino, ambas dizem ser diferente. Em Portugal, estudam na Universidade do Porto e na Polónia estudaram no Collegium Civitas. Marta aponta diferenças no sistema de avaliação polaco em comparação ao português. ”A maior parte dos professores prefere avaliar os alunos com base em trabalhos e não em exames. A participação nas aulas é mais valorizada lá do que cá”, refere a estudante Portuguesa.

 

Quando questionadas sobre o nível de segurança que sentiram, Marta refere que, burocraticamente, se sentiu mais segura pois “é muito fácil passar temporadas longas em países da UE sem qualquer problema”. No entanto, Joana estava na mesma cidade e diz que o facto de ser um país da UE não pesou na sua segurança. A portuguesa Francisca Ferreira (20 anos), que também fez Erasmus na Polónia em 2018, na cidade de Lublin, não se sentiu mais segura por estar na União Europeia.

 

Francisca viu a sua estadia em Lublin como uma oportunidade para “crescer muito enquanto pessoa” e para “conhecer pessoas, locais e culturas incríveis”. Confirma que a experiência correspondeu às expectativas pois voltou da Polónia “mais responsável, mais autónoma, mais rica em experiências, com a mente mais aberta para todo o tipo de questões”. Em relação à experiência académica, afirma que “a qualidade de ensino cá é melhor, no entanto os métodos são muito diferentes”.

 

As portuguesas Jessica Roque e Rute Cardoso, ambas com 19 anos, viajaram em setembro passado, para Cluj Napoca, cidade da Roménia. No início, Jessica não estava à espera que a sua adaptação num “sítio completamente diferente” fosse tão fácil. Ela decidiu candidatar-se ao programa Erasmus+ porque “sentia a necessidade de uma aventura maior” na sua vida e “Erasmus foi a escolha perfeita”. “Deu-me a possibilidade de praticar a Língua Inglesa, criar uma rede de contactos com várias pessoas da Europa e conhecer novas culturas”, confirma Jessica.

 

No que diz respeito à qualidade de ensino, as duas estudantes de Ciências da Comunicação dizem que ”o curso era mais prático” e existia “ mais interatividade entre os professores e os alunos”. Apesar disso, Rute refere a existência de “problemas comuns, como os computadores velhos, que estão sempre a avariar, as salas pequenas, e não haver bar nem cantina”.

 

Quanto ao desenvolvimento pessoal, Jessica destaca a capacidade de “desenrascanço” e melhoramento nas suas relações interpessoais. Já para Rute, Erasmus não a mudou “tanto como estava à espera”. No entanto, admite ter melhorado a sua capacidade de orientação e aprendido a gerir melhor o seu tempo.

 

Margarida Cruz (19 anos) optou no ano passado, pelo sul da Europa, mais propriamente pela cidade da grande Acrópole, Atenas (Grécia). Candidatou-se ao Erasmus+ porque sabia que, “após ouvir relatos de colegas que estiveram ao abrigo do programa” Erasmus, a obrigaria a crescer a vários níveis. Quanto a viver noutro país “foi uma aventura” e, “no início, parecia somente que estava a passar férias”. Margarida diz que se foi adaptando gradualmente e aprendendo “quais as ruas que nunca poderia percorrer, quais os metros que tinham sempre as cancelas abertas, os restaurantes com o melhor gyros (iguaria típica grega), o café mais barato, os supermercados com maior qualidade”.

 

Foram pequenas coisas que a ajudaram a sobreviver às saudades de Portugal e de casa. “Ao fim de algum tempo, numa pastelaria ao lado da Faculdade grega já me reconheciam pelo nome e já sabiam de cor que o meu café tinha sempre canela por cima”, conta Margarida. A estudante afirma que a experiência a fez perder constrangimento que a “impedia de vingar em interações sociais”. Considera que, agora, é uma pessoa com mais à vontade, “quer seja para me pronunciar dentro do meu grupo de amigos, quer seja para pedir carne no talho do supermercado”. Para além disso, destaca que as suas capacidades orais a Inglês melhoraram bastante, pois é mais fácil manter uma conversa neste idioma.

 

Ao comparar a Universidade do Porto à National and Kapodistrian University of Athens, Margarida afirma que a primeira é mais organizada. “Muitas cadeiras, às quais teria equivalência, acabaram por não abrir, e a comunicação interna dentro do próprio departamento de Communication and Media Studies apresentava lacunas”, confessa a jovem. No entanto, Margarida deixa elogios aos docentes gregos e à qualidade das infraestruturas, neste caso semelhante a Portugal.

 

Margarida não se sentiu mais segura por estar em território da UE e considera que “ isso pouco ou nada influencia o clima de insegurança que paira na cidade”. “O único momento em que, de facto, me senti mais segura por estar na União Europeia foi no aeroporto, quando via várias pessoas oriundas de países árabes a ficarem retidas, ao passo que mal olhavam duas vezes para o meu cartão de cidadão Português”, desabafa Margarida.

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