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Podcasts em Portugal e no Brasil continuam a crescer

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  1. Especialistas de Brasil e Portugal concordam: em ambos os países, podcasts têm um futuro de crescimento.

Podcasts podem até ser um meio de comunicação relativamente recente, mas é inegável sua atual popularidade. De acordo com o website Chartable, apenas em 2018, 210.000 podcasts lançaram seu primeiro episódio no Apple Podcasts, com uma média de 575 novos programas por dia. Duas entrevistas exclusivas com profissionais da área, no Brasil e em Portugal, oferecem um vislumbre da indústria de podcasting.

Origens dos podcasts

O podcast como conhecemos hoje foi inventado em 2004. Era uma forma de baixar arquivos de rádio da Internet, em formato de áudio, e passa-los para mp3 players, como iPods – a influência da marca Apple evidente no nome podcast até hoje. Mas foi realmente em 2014 e no ano seguinte que os podcasts se tornaram mainstream. Para muitos, o catalisador foi o trabalho investigativo apresentado, semana a semana, no programa Serial.

Nesse premiado podcast, Sarah Koenig, uma repórter até então relativamente desconhecida, explorou o caso de assassinato da estudante Hae Min Lee e o subsequente julgamento e condenação de seu ex-namorado, Adnan Syed. O podcast cativou os ouvintes em todo o mundo e o caso de Syed tornou-se tema de muito debate. Em março de 2018, o Tribunal de Recursos Especiais de Maryland ordenou um novo julgamento, embora sua condenação tenha sido restabelecida um ano depois.

Talvez o Serial fosse a faísca necessária para essa explosão em popularidade. Os podcasts agora são produzidos e ouvidos em todo o mundo, não sendo limitados à Europa e América do Norte. De acordo com o Digital News Report do Instituto Reuters, em 2018 as pessoas da Coreia do Sul, Espanha, Suécia, Austrália e EUA têm algumas das maiores porcentagens de ouvintes de podcast.

Créditos: tradução de gráfico original de Business Insider

Tanto amadores, gravando em suas garagens, quanto grandes corporações gravando em estúdios de alta tecnologia, usam esse meio como uma maneira de se comunicar, explorando saídas criativas e conectando-se a um público amplo.

O boom Português

Através de grandes plataformas de áudio como Spotify e Itunes, ou aquelas especializadas apenas em feeds de podcast, como Radio Public e Google Podcasts, é possível encontrar programas sobre qualquer assunto e em qualquer formato.

Esta flexibilidade e o grande número de opções são justamente algumas das razões que explicam o aumento de popularidade, segundo Ruben Alexandre Martins, jornalista responsável pela divisão de podcast do jornal Público. Ruben escreve a sua tese de doutoramento em podcasts em Portugal / Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). Ele ressalta que uma das maiores vantagens que os podcasts apresentam é a diversidade de conteúdo. “Podemos quase criar uma rádio personalizada, nossas próprias playlists pessoais com base em nossos interesses”, acrescenta.

Ruben Martins em estúdio

Conforme os podcasts crescem em popularidade, eles também se tornam mais claramente separados do rádio, adquirindo “vida própria”. As estações de rádio estão vinculadas a um determinado formato de tempo, discurso e conteúdos. Além disso, as vozes no rádio são relativamente poucas. Por outro lado, qualquer pessoa pode criar e publicar seus podcasts online. As vozes são muitas, diversas e podem atrair uma ampla gama de ouvintes. Mesmo em podcasts relacionados a notícias e jornalismo, Ruben ressalta que “conseguimos ter um contato mais intimista com nossos ouvintes […] conseguimos falar diretamente para os ouvintes, ter outro tipo de engagement que a rádio não consegue criar nesta hora”.

Essas são algumas das razões que podem explicar o recente aumento da popularidade dos Podcasts em Portugal. De acordo com os números reunidos na pesquisa de Ruben, 80% dos podcasts ativos hoje foram criados apenas nos últimos 48 meses. Apesar de ter levado alguns anos para o boom neste formato de mídia, a tendência é de rápido crescimento. A criação de novos programas com novos tópicos apelando a um público diversificado tendem a trazer ainda mais ouvintes, já que ainda há uma grande margem de crescimento no país.

Do outro lado do Atlântico

No Brasil, os podcasts começaram a ganhar alguma força, embora lentamente e em números muito reduzidos, em 2008. Esse foi o ano da primeira PodPesquisa, um levantamento com o objetivo de entender o perfil do ouvinte de podcast no país.

Luciano Pires, presidente da Associação Brasileira de Podcasts (ABP), explica que “a liberdade para escolher o que, quando, como e quanto ouvir” são razões por trás do boom do podcast. Além disso, os podcasts agregam valor às atividades mecânicas, como tarefas de casa ou locomoção.

Afinal, a multitarefa parece ser um fator importante para o público. A pesquisa brasileira indica que a maioria dos ouvintes de podcasts passa de 1 a 4 horas todos os dias ouvindo seus programas favoritos, mas normalmente o fazem enquanto realizam outras atividades diárias. Cerca de 35% dos ouvintes afirmam prestar atenção moderada ao que está sendo ouvido e apenas 4% não realizam nenhuma outra atividade enquanto ouvem os podcasts.

Uma das particularidades do público brasileiro é que as mulheres ainda são uma minoria de ouvintes e produtores. “Os podcasts nasceram dentro de um ambiente de TI, que sempre foi predominantemente masculino. A participação feminina tem crescido devagar, estando ainda muito distante dos 50% dos EUA. Aqui ainda é 15%, mas o número de mulheres produzindo está crescendo e é questão de tempo para se obter um equilíbrio”, diz Luciano.

Embora Portugal não veja a mesma diferença drástica em termos do gênero dos ouvintes, Ruben aponta que 75% dos produtores de podcast são homens.

Independentemente do lado do Atlântico, o futuro parece brilhante para a indústria de podcasting. Luciano acredita que a tendência é de crescimento irreversível: “Com o crescimento do mercado de smartphones, que são a plataforma ideal para podcasts, muito mais gente terá acesso. Estima-se que de cada 10 donos de smartphones, no máximo 2 sabem o que são ou consomem podcasts. O potencial de mercado é gigantesco”.

Em Portugal, Ruben diz que as marcas ainda não percebem o potencial do meio. Enquanto em outros países, como o Brasil, os Estados Unidos e o Reino Unido, existem patrocinadores e financiamentos publicitários do setor, em Portugal ainda há uma ampla margem de crescimento.

De comédia a notícias, falando sobre as lutas diárias das minorias ou revoluções na história, há um podcast para todas as pessoas. E se não, nunca foi tão fácil criar seu próprio – e divulgar sua mensagem por todos os quatro cantos do mundo.

 

Esse artigo foi inicialmente publicado no WikiTribune / Inglês em 24 de Março de 2019.

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