5

Artista Portuguesa - IVY: “Gostava que ouvissem verdade na música que faço”

Ainda não foi verificado o que se segue. Favor proceder aos respetivos melhoramentos, dando início à sessão e efetuando a respetiva edição. Caso entenda que tal procedimento não é suficiente para resolver o problema, favor discuti-lo com a comunidade na Página de Conversação. Caso pense que este artigo deve ser removido, favor contactar [email protected]

Chama-se Rita Sampaio, mas, em palco, é só IVY. Entrevista à cantora no âmbito da apresentação do seu álbum de estreia a solo, Over and Out, no Espaço Cultural – Maus Hábitos, no Porto (Portugal).

Ela é natural de Famalicão (Portugal), mas considera Braga a sua casa. Depois de terminar o ensino secundário, Rita Sampaio estudou piano e voz. Agora, com 22 anos, concilia o curso de Estudos Culturais, na Universidade do Minho, com a carreira na música. Sob o norme artístico IVY, lançou o seu primeiro projeto a solo, Over and Out, a 13 de março de 2019. O som é sombrio e atmosférico; as letras intimistas e pessoais.

A verdade é que não é uma estreante no mundo da música. Rita também integra a banda GrandFather’s House, que já conta com um EP e dois álbuns editados. Esta banda esteve presente na edição do ano passado do festival Paredes de Coura (Portugal)

Algumas das suas influências incluem Perfume Genius e Nick Cave & The Bad Seeds, sendo que que este útlimo tem sido “uma presença forte” e “uma referência que está sempre lá”. O facto das suas principais influências serem internacionais reflete-se nas letras em Inglês. “Desde que comecei a fazer música que comecei a cantar em Inglês (…). Comecei muito no soul e no rock norte-americano e, por isso, o Inglês surgiu muito naturalmente”, afirma. Apesar disto, não descarta a possibilidade de vir a cantar do idioma de Camões. “Não fecho a porta a essa possibilidade. Acho que escrever em Português seria uma experiência gira e gosto de me desafiar”.

Foto: Adriana Peixoto

Mostra-se reticente sobre a caracterização do seu estilo e prefere “pedir às pessoas para ouvirem e tirarem as suas próprias conclusões”. “Acho que tudo foi tão natural neste disco, tanto a nível do conceito como da forma que ganhou sonora e liricamente, que não sei bem dizer um estilo a que o possa colar, nem gosto de o fazer”, refere. Considera que o rótulo acaba por “condionar as pessoas” e que “a interpretação de cada um é a melhor forma de responder a isso”.

O amor pela música despertou com a influência do irmão. Apesar dos pais não estarem ligados à indústria musical, “foram e são um grande suporte”. “Foi por volta dos 14 anos que comecei a ouvir música das décadas de 60 e 50, os clássicos do rock. A partir daí, comecei a adorar música e a ir a concertos muitas vezes com o meu irmão e outras vezes sozinha, porque não conhecia muita gente que partilhasse o meu gosto musical”, revela.

IVY confessa que o processo de criação do álbum demorou “muito tempo”. “Comecei a compor as músicas, há uns dois, anos no piano. Entretanto, falei com o meu amigo João Figueiredo (…) e perguntei-lhe se ele estava interessado em produzir os esboços de músicas que já tinha feito”, conta. Depois de um ano a trabalhar, sentiu que precisava de se “distanciar um bocado das músicas” e da ajuda de alguém com “os ouvidos limpos”. “Depois, passei uma semana nos estúdios da CASOTA Collective e, aí, foi a fase final de gravação do disco”, acrescenta.

Para além do nome do disco, Over and Out é também o título da primeira faixa. Sobre a escolha desta música para ser faixa-título, a artista afirma que “foi o nome que surgiu primeiro”. “Como é a primeira faixa do álbum e também a primeira que compus, achei que fazia sentido”. IVY ressalva que “foi esta música (Over and Out) que começou tudo”. “Pensei nesse nome porque é uma expressão muito usada no contexto militar e também porque reflete o momento em que se ultrapassa alguma coisa”, sublinha. Considera as suas músicas “um desabafo” que a fizeram “descolar de um sentimento” e que essa “catarse” está bem refletida na faixa-título.

A escolha do single de lançamento recaiu sobre “I Miss Myself”, que foi considerado como um dos melhores “da colheita dos primeiros 3 meses de 2019” pela revista BLITZ. “Acho que essa música é muito forte a nível sonoro e representa bem todo o disco, também por causa da letra e da intenção que eu tinha. (…) Foi uma fase em que eu estava perdida e essa música resume bem isso (…) Coisas que julgava que seriam do meu caráter já não estavam lá. É quase um sentimento de redescoberta de mim mesma”, afirma.

Foto: Adriana Peixoto

IVY participou no processo de composição de todas as canções do álbum e denota que “é sempre um bocado da mesma forma”. “Passei muito tempo em estúdio e sentava-me a brincar no piano e, apesar de não ser lá grande virtuosa (ao piano), foi uma muleta indispensável para começar a compor”. A cantora conta que o facto de não ser muito boa no piano também lhe “deu mais espaço para explorar a voz” e “ter uma maior presença, porque queria mesmo que as pessoas ouvissem” o que tem a dizer. “Não sei quem é que quer ouvir os desabafos dos desamores de alguém, mas a verdade é essa”, brinca. “O exercício de escrita tem um poder curativo em mim incrível e muitas vezes tive uma ideia e, a partir do momento que tento escrever e passar para o papel, parece que as coisas ficam mais claras para mim”.

As temáticas mais presentes são, nas palavras da própria artista, “amor e desamor”. O disco “é muito a consequência de uma relação conturbada” que ela teve, “mas também há um sentimento grande de desilusão que está muito presente” nas letras. “Desilusão no mundo, em mim própria, nas expectativas que às vezes se tem e que não são correspondidas. (…) Este disco é sobre como sair disso; como contornar aquele turbilhão de ideias e sentimentos negativos que parece que se juntam para nos arrastar para baixo”.

Esse sentimento de desilusão está muito presente na sexta faixa do disco: Infinite Loneliness. Apesar de não ter uma música favorita, IVY confessa que nutre por esta “um carinho especial”. “Foi muito gira de compor nos últimos dias, tinha um pianinho, um sintetizador e um poema escrito e a canção é o debitar do poema, muito estilo spoken word”. A canção reflete o sentimento de se “estar rodeado de pessoas”, mas, no final, ser “tudo vazio de conteúdo e de amizade”. “Acho que, hoje em dia, vivemos numa época muito complicada a nível de relações interpessoais porque é tudo muito descartável. As pessoas deixaram de acreditar umas nas outras e pode ter-se montes de amigos, mas, à mínima desavença, vê-se que não significam nada”, acrescenta.

A última canção, 8h17am, é uma das favoritas da cantora. É dueto com Rui Gaspar e foi também a última a ser composta. “O Rui (Gaspar) foi uma das pessoas que me deu muita força neste disco. É uma história engraçada porque um dia fomos ao centro de Leiria beber uns copos e ele disse “Bora para casa, bora para o estúdio fazer um som” e pronto, fizemos um take de quase uma hora os dois sentados ao piano a cantar e resultou nessa música”, conta.

Foto: Adriana Peixoto

E quais foram as canções as difíceis de fazer? IVY revela que “alguns temas no disco causaram algumas dores de cabeça” porque “ainda não estavam bem no sítio que queria”. “Uma delas é a Same Old Dog, mais na parte intermédia da música entre os dois últimos refrões. Outra música foi a Pleasure, mas no final gostei muito do resultado de todas”.

A mensagem que IVY quer passar através da música é curta e direta: “Quero que as pessoas oiçam e que sintam alguma coisa. Gostava que ouvissem verdade naquilo que eu faço, porque é muito verdadeiro e íntimo”.

Relativamente a projetos futuros,  a cantora deixa um apelo: “Tenho algumas coisas marcadas mas que ainda não foram divulgadas, mas estejam atentos e sigam-me nas redes sociais”. Para quem queira seguir o conselho da artista, podem acompanhá-la no Facebook e no Instagram.

 

  • TODO tags

      Existe algum problema com este artigo? Junte-se hoje para que as pessoas conheçam e ajudem a construir as notícias.
      • 1 Contributor

      • Atividade

        (diff) .. 2019-05-02 12:33:00 ... Adriana Peixoto
        Note → First draft
        Ação →
        • Made PUBLIC
        2019-05-02 12:30:53 ... Adriana Peixoto
        Note →
        Ação →
        • Edited attachment
        2019-05-02 12:30:53 ... Adriana Peixoto
        Note →
        Ação →
        • Edited attachment
        2019-05-02 12:30:53 ... Adriana Peixoto
        Note →
        Ação →
        • Added attachment
        2019-05-02 12:30:11 ... Adriana Peixoto
        Note →
        Ação →
        • Edited attachment
        2019-05-02 12:30:11 ... Adriana Peixoto
        Note →
        Ação →
        • Added attachment
        2019-05-02 12:29:10 ... Adriana Peixoto
        Note →
        Ação →
        • Edited attachment
        2019-05-02 12:29:10 ... Adriana Peixoto
        Note →
        Ação →
        • Added attachment
        2019-05-02 12:27:14 ... Adriana Peixoto
        Note →
        Ação →
        • Edited attachment
        2019-05-02 12:27:14 ... Adriana Peixoto
        Note →
        Ação →
        • Added attachment
        2019-05-02 12:24:08 ... Adriana Peixoto
        Note →
        Ação →
        • Add new ARTICLE

        Visualizar todos

      • Partilhar
        Partilhar

      Torne-se assinante da nossa newsletter

      Seja o primeiro a colaborar nas nossas peças em desenvolvimento

      WikiTribune Abrir menu Encerrar Procurar Gostar Voltar Seguinte Abrir menu Encerrar menu Play video Fluxo RSS Partilhar com Facebook Partilhar no Twitter Partilhar no Reddit Siga-nos no Instagram Siga-nos no Youtube Ligue-se connosco no Linkedin Connect with us on Discord Envie-nos um email