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Vencer Autismo (Portugal): “As crianças podem evoluir e o segredo dessa evolução parte dos pais”

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A aceitação e desmistificação do autismo ainda tem um longo caminho pela frente. A associação Vencer Autismo dedica-se à causa desde 2014 e Susana Silva, fundadora e presidente da associação, revela os principais desafios em entrevista.

Pergunta (P): O que é o autismo?

Resposta (R): É uma perturbação com um espetro muito largo. Não há nada, nenhuma análise sanguínea e nenhum teste médico, que se faça para diagnosticar o autismo. O autismo diagnostica-se por observação de alguns traços no comportamento da criança. Normalmente, a partir de um ano e meio já se começa a observar o tipo de comportamentos que se enquandra nos sintomas de uma perturbação no espetro do autismo. O espetro é grande e vai desde o autismo severo a autismo de alto funcionamento, como o síndrome de Asperger. Podem ser crianças perfeitamente funcionais, digamos assim, a estudar e por aí fora, mas têm um comprometimento na área da socialização e nas relações com os outros. O autismo não é uma perturbação da linguagem, dos números ou de saber identificar cores, mas sim um desafio na relação com o outro e na integração social. Portanto, não é fácil fazer um diagnóstico, no entanto, quanto mais precoce for o diagnóstico e quanto mais o tratamento e as terapias forem intensivos, mais essa criança terá sucesso mais tarde.

P: Como nasceu a Vencer Autismo?

R: Tenho três filhos e a mais velha tem autismo. A Vencer Autismo nasceu da necessidade de passar a palavra a outros pais. Nós começámos a fazer um trabalho diferente, com resultados visíveis, e achámos que fazia sentido partilhar a mensagem com os outros pais. Então, criámos uma página no Facebook e constituímos a associação, para dar a conhecer e, principalmente, para tirar o estigma negativo do autismo, de forma a que cada vez mais pessoas fiquem consciencializadas sobre a realidade do autismo e saibam como atuar com essas crianças.

P: Que tipo de trabalho faz a Vencer Autismo?

R: Neste momento atuamos em várias áreas. Temos um projeto grande, a nível da área metropolitana do Porto e em todo o país, que consiste em darmos palestras gratuitas para pais, profissionais, professores e todo o público em geral. Há workshops também gratuitos para pais e profissionais na área metropolitana do Porto. Depois, há vários projetos que estamos a desenvolver com empresas e com instituições que são nossas parceiras, como uma realidade virtual, para que toda a gente possa perceber o que é que sente uma criança com autismo. Temos também o projeto autismo.pt, querendo colocar numa plataforma online tudo aquilo que são recursos, a nível nacional, sobre autismo, para que todos os pais saibam exatamente o que é que existe e onde é que existe, e para que possam perceber qual é a qualidade do serviço que está a ser prestado. Pontualmente, também fazemos atividades como corridas e caminhadas, no sentido de levar a sensibilização para esta problemática à população.

A 1 de maio de 2019, a Vencer Autismo organizou uma corrida e caminhada no Parque da Cidade do Porto [Foto: Adriana Peixoto]
P: Quantas pessoas colaboram na Vencer Autismo?

R: Pessoas que trabalham na Vencer Autismo quatro, neste momento. Também temos voluntários, como pessoas de faculdades, ou de outras associações ou instituições que também nos ajudam, e sem eles era impossível porque somos poucos na associação e os recursos são limitados.

P: Quais são os principais mitos associados ao autismo?

R: O autismo está muito associado ou a crianças que estão num canto a abanar e que não falam, ou então a grandes crânios que conseguem adivinhar os números da lotaria. O autismo não é isso. Obviamente que temos desses casos, é verdade, mas a grande maioria das crianças estão num meio-termo. Há casos de autismo severo e há casos efetivamente de mentes excecionais, mas o grosso de crianças com autismo são crianças aparentemente normais,com os seus desafios próprios. Depois, há também a ideia de que ter uma criança com autismo é algo mau. É, obviamente, um caminho com momentos difíceis, e os pais com crianças com autismo sabem isso, mas também há todos os outros momentos de conquistas e todas as coisas que aprendemos com eles sobre uma maneira diferente de ser e de estar e sobre como não devemos julgar os outros.

P: Quais as melhores formas de desmistificar o autismo?

R: Nós temos feito muito a divulgação do nosso trabalho através das redes sociais, para mostrar que as crianças podem evoluir e o segredo dessa evolução parte dos pais. Se os pais e os professores fizerem o caminho com eles, podem perceber que a criança tem potencial. Cada uma tem o seu e não sabemos o que vão conseguir no futuro, mas sabemos que, se acreditarmos, elas vão conseguir chegar mais à frente daquilo que chegariam se desistíssemos delas. Sendo esse trabalho feito de forma consistente, temos a certeza que caminhamos para uma sociedade mais justa e que vai aceitar melhor não só as crianças com autismo, mas todas as crianças diferentes.

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