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vegan2 Veganismo em Portugal: Empreendedorismo vegano na cidade do Porto
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  O veganismo é uma tendência em crescimento em Portugal. Quatro empreendedores veganos na cidade do Porto contam suas histórias.
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  “Uma tentativa de reduzir o sofrimento intenso dos animais não humanos”. É essa <a href="https://www.avp.org.pt/activismo-eficaz/uma-definio-para-vegano/">uma das várias definições</a> do termo veganismo que pode ser encontrada em uma rápida busca pela internet. A palavra, <a href="https://www.vegansociety.com/about-us/history">cunhada em 1944 no Reino Unido</a>, caracteriza um estilo de vida que não inclui ingredientes ou produtos obtidos de animais. O termo pode incluir conotações éticas, morais, religiosas ou pragmáticas, o que explica as diferentes explicações e definições existentes.
  Divergências definição a parte, é inegável que o veganismo é uma tendência em crescimento no mundo todo. Grupos de consultoria, grandes empresas da área da alimentação e <a href="https://www.just-eat.ie/blog/plant-based-diet-2018/">serviços de entrega de comida</a> apontam que a demanda por produtos sem nada de origem animal <a href="https://foodrevolution.org/blog/vegan-statistics-global/">cresceu em 2018</a>. A previsão é de que continue a crescer.
  Um dos principais indicadores da popularidade do veganismo é o <a href="https://veganuary.com/blog/a-record-breaking-veganuary-2018/">número de inscritos anualmente no desafio</a> proposto pela organização sem fins lucrativos Veganuary. Com base no Reino Unido, mas com alcance global graças a sua plataforma online e redes sociais, Veganuary incentiva as pessoas a experimentarem o veganismo por um mês, mais especificamente, em Janeiro.
  <a href="https://veganuary.com/blog/veganuary-2019-the-results-are-in/">Dados de 2019</a> divulgados por Veganuary mostram que, globalmente, 250,310 pessoas se inscreveram no desafio. O número quebrou o recorde do ano anterior, quando 168,542 pessoas participaram.
  De acordo com um ranking da referida organização, <a href="https://www.instagram.com/p/BuvxgUYgVYc/">Portugal foi o 12º país</a> com mais inscrições neste ano.
  A Associação Vegetariana Portuguesa (AVP), responsável pelo monitoramento e divulgação do veganismo no país, corrobora que o veganismo vive um momento de crescimento. Em seu site oficial, a AVP reconhece o crescimento em adoção do vegetarianismo, que difere do veganismo por se limitar à eliminação da carne animal da dieta. Em 2018, esta organização <a href="https://www.avp.org.pt/noticias/120-000-vegetarianos-portugal-numero-quadruplicou-numa-decada/">divulgou resultados de uma pesquisa</a> feita pela Nielsen que indica que o número de vegetarianos no país aumentou em quatro vezes no período de dez anos.“Os resultados são vistos como muito positivos pela Associação Vegetariana Portuguesa, embora não surpreendam, pois tínhamos indicadores fiáveis de que o mercado português de produtos vegetarianos tem expandido amplamente na última década, assim como o sector da restauração e do pequeno comércio destes produtos”, informa o comunicado.
  De acordo com a referida pesquisa da Nielsen, existem, em Portugal, cerca de 120 mil vegetarianos, o equivalente a 1,2% da população. Já o número de veganos duplicou em uma década e, hoje, equivale a 0,6% da população do país.
  Na prática, este crescimento também leva a uma expansão do empreendedorismo vegano. Em <a href="http://avp.org.pt/wp-content/uploads/2018/05/AVP_Estudo-da-evolu%C3%A7%C3%A3o-do-com%C3%A9rcio-vegetariano-e-vegano-em-Portugal-entre-2008-e-2018.pdf">outro estudo promovido pela AVP</a>, o comércio vegetariano e vegano aumentou em 514%, em um período de 10 anos, entre 2008 e 2018. Para a análise, a Associação utilizou dados fornecidos pelo diretório global HappyCow, especializado em listar estabelecimentos voltados para o público vegetariano. A previsão da AVP é que os números continuem à crescer.
  O Porto, segunda maior cidade de Portugal, exemplifica esta tendência. Estabelecimentos e iniciativas que não utilizam produtos de origem animal têm se multiplicado. Conversamos com com empreendedores veganos na cidade do Porto para entender o que os motivou a transformar esse estilo de vida em uma oportunidade de negócio, e qual tem sido a reação do público.
  <p style="text-align: center">[embed]https://youtu.be/26lCPggHj9I[/embed]</p>
  <h2>DUH! Vegan Donuts</h2>
  Patrícia e Elodie são as melhores amigas e as fundadoras do DUH! Elas contam, em entrevista exclusiva, que após uma viagem a Berlim, uma das cidades com mais opções veganas na Europa, surgiu a ideia de fazer seus próprios donuts. Cozinhar e conversar sobre veganismo já era parte da vida das duas amigas, e não demorou para que começassem a experimentar com os doces na cozinha. Os donuts fizeram sucesso, por isso, quando surgiu a oportunidade de alugar um local próprio e criar seu estabelecimento no estilo take-away, Patrícia e Elodie apostaram. Em junho de 2018, abriram o local. Como tem sido a resposta? “Tem sido bastante positiva. A maior parte dos nossos clientes nem sequer são veganos.”, disse Elodie. Na realidade, Patrícia explica que o público-alvo vai mais além de pessoas já adeptas ao veganismo. “Nós nunca quisemos vender só para vegans. Nós temos ‘vegan’ no nosso nome porque, quando procuramos [por opções para comer], fazemos isso. Sabemos que as pessoas que são como nós [veganas] facilmente nos encontrariam assim.”, disse. Mas, o objetivo é facilitar o acesso a produtos sem ingredientes de origem animal, mesmo a pessoas que não se preocupam particularmente com a questão ética do veganismo.
  A normalização do veganismo, principalmente em Portugal, leva a que mais opções estejam disponíveis ao grande público. Algo que Patrícia vê como positivo: “Eu acredito muito no poder do dinheiro enquanto consumidores. É aí que conseguimos dizer que é isso que nós queremos, e as pessoas estão a comprar essas opções, independentemente de serem ou não veganas. Isso permite que as pessoas façam escolhas que têm um impacto no mundo.”
  <h2>O Burrito</h2>
  Annie Kleinhesselink é Americana, original de Montana, e está em Portugal há 13 anos. Em um processo “um bocado impulsivo”, O Burrito está aberto há um ano e meio, servindo fusion food e pratos com um toque mexicano. A ideia surgiu a partir de sua própria experiência, vivendo  como vegana na cidade do Porto: Annie considera que “Naquela altura foi muito complicado encontrar petiscos e coisas veganas.”
  Annie não contava com o sucesso que o espaço teve, desde o princípio: “Eu não estava à espera de nada disso. A semana que nós abrimos, [O Burrito] explodiu. No início, era só um projeto, só para mim, mas precisei contratar outras pessoas. Agora somos uma equipe de cinco pessoas.”
  Os turistas que chegam no estabelecimento são principalmente veganos, mas Annie acredita que o público português, em geral, não seja: “Temos muitos regulars e não acredito que sejam todos veganos. Para mim, a coisa principal é que se diminua nosso consumo de animais. Principalmente por causa dos recursos naturais e ambiente. Cada pessoa que come uma refeição vegana está a ajudar, com consciência ou não.”
  <h2>Apuro Vegan Bar</h2>
  O Apuro Vegan Bar é o <a href="https://www.publico.pt/2018/10/25/fugas/reportagem/bar-vegano-porto-esmerouse-ate-chegar-apuro-1848656">primeiro bar 100% vegano</a> do Porto. Natacha Meunier percebeu, em 2018, que não havia nenhum estabelecimento com esse conceito na cidade, unindo programação cultural, comida de bar e cerveja artesanal. O menu é, nas palavras de Natacha Meunier, simples e prático, para que houvesse uma aceitação maior por parte do público. Esta empresária explica o seu objectivo:“Quis criar um espaço que trouxesse as pessoas. Temos muitas pessoas que não vegans nem vegetarianas, que acabam por estar mais abertas a esse tipo de alimentação porque gostam do espaço e do conceito do espaço.”
  Nos seis anos em que é vegana, Natacha tem acompanhado a forma como o veganismo é percebido em Portugal: “Ainda continua a haver um pouquinho de estigma”. Acredita que ainda existe um pouco do estereótipo de que vegans são pessoas radicais, quando “simplesmente escolhemos não fazer parte da indústria de exploração animal”.
  No entanto, para Natacha Meunier, a conclusão é positiva: “Tenho visto que as coisas têm evoluído muito positivamente. Já se vê anúncios de produtos que tem a certificação vegan e as marcas fazem questão de dizer que o produto é vegan. Acho que as pessoas estão mais atentas aquilo que comem, da onde vem aquilo que comem.”
&nbsp <h2>Mr. Tommy</h2>
  “Porque eu não devo me tornar vegetariano?” Foi isso que Diogo Tomaz se perguntou, há cerca de dois anos, quando começou a considerar o vegetarianismo. Buscando a resposta para essas e outras perguntas, Tomaz diz que ganhou “grandes dores de cabeça nos primeiros tempos.” Afinal, ele explica, é um passo que leva a mudanças no estilo de vida: “Só que não estamos programados para isso. Estamos programados para chegar ali, se apetece-nos aquilo, compramos e comemos. Não perguntamos o porquê ou como aquilo ali chegou”.
  Após decidir que iria adotar o vegetarianismo e, mais tarde, o veganismo, Diogo Tomaz percebeu que não era fácil encontrar doces sem ingredientes de origem animal. Em especial, os doces tradicionais portugueses, como os pastéis de nata e as bolas de Berlim, faziam falta. Foi a partir desse questionamento, combinado com o gosto por cozinhar, que nasceu a pastelaria e padaria Mr. Tommy. Este empreendedor considera que o começo foi “em meio a muita confusão” e “aos poucos”. As primeiras tentativas de pastelaria vegana foram os muffins. Foram tão populares juntos aos colegas no trabalho que Diogo Tomaz percebeu um potencial, e resolveu expandir. Com muitas experiências na cozinha e ouvindo o feedback de clientes, a oferta cresceu. Hoje, Tomaz já inclui croissants, pastéis de nata, bolas de Berlim e lanches. O público tem aprovado as receitas já que, segundo Diogo Tomaz, “as vendas, felizmente, veem-se por si”.
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  Alimentação, Empreendedorismo, Ética, Portugal, Saúde, vegan, Veganismo, Vegetarianismo
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  <p><a href="https://www.avp.org.pt/activismo-eficaz/uma-definio-para-vegano/" rel="nofollow">https://www.avp.org.pt/activismo-eficaz/uma-definio-para-vegano/</a></p>
  <p><a href="https://www.vegansociety.com/about-us/history" rel="nofollow">https://www.vegansociety.com/about-us/history</a></p>
  <p><a href="https://www.avp.org.pt/noticias/120-000-vegetarianos-portugal-numero-quadruplicou-numa-decada/" rel="nofollow">https://www.avp.org.pt/noticias/120-000-vegetarianos-portugal-numero-quadruplicou-numa-decada/</a></p>
  <p><a href="https://veganuary.com/blog/a-record-breaking-veganuary-2018/" rel="nofollow">https://veganuary.com/blog/a-record-breaking-veganuary-2018/</a></p>
  <p><a href="https://veganuary.com/blog/veganuary-2019-the-results-are-in/" rel="nofollow">https://veganuary.com/blog/veganuary-2019-the-results-are-in/</a></p>
  <p><a href="https://www.just-eat.ie/blog/plant-based-diet-2018/" rel="nofollow">https://www.just-eat.ie/blog/plant-based-diet-2018/</a></p>
  <p><a href="https://foodrevolution.org/blog/vegan-statistics-global/" rel="nofollow">https://foodrevolution.org/blog/vegan-statistics-global/</a></p>
  <p><a href="https://www.vegansociety.com/news/media/statistics" rel="nofollow">https://www.vegansociety.com/news/media/statistics</a></p>
  <p><a href="http://avp.org.pt/wp-content/uploads/2018/05/AVP_Estudo-da-evolu%C3%A7%C3%A3o-do-com%C3%A9rcio-vegetariano-e-vegano-em-Portugal-entre-2008-e-2018.pdf" rel="nofollow">http://avp.org.pt/wp-content/uploads/2018/05/AVP_Estudo-da-evolu%C3%A7%C3%A3o-do-com%C3%A9rcio-vegetariano-e-vegano-em-Portugal-entre-2008-e-2018.pdf</a></p>
  <p><a href="https://www.instagram.com/p/BuvxgUYgVYc/" rel="nofollow">https://www.instagram.com/p/BuvxgUYgVYc/</a></p>
  <p><a href="https://www.publico.pt/2018/10/25/fugas/reportagem/bar-vegano-porto-esmerouse-ate-chegar-apuro-1848656" rel="nofollow">https://www.publico.pt/2018/10/25/fugas/reportagem/bar-vegano-porto-esmerouse-ate-chegar-apuro-1848656</a></p>

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